Empreendedors brasileiros prosperam nos EUA, diz Finacial Times

Reportagem de 06/2008

Milhares de imigrantes brasileiros estão prosperando em negócios nos Estados Unidos, apesar do furor político em torno dos controles imigratórios, relata uma reportagem publicada pelo jornal econômico Financial Times

Segundo a reportagem, no Brasil “complicadas barreiras burocráticas e algumas das regras tributárias mais punitivas do mundo tornam a vida difícil para os possíveis empreendedores”.

O jornal cita um estudo que diz que para abrir uma empresa no Brasil é necessário preencher 18 formulários diferentes e esperar em média 152 dias, enquanto nos Estados Unidos o processo leva seis dias e exige o preenchimento de seis formulários.

A reportagem relata que os brasileiros na cidade de Boston encontraram um nicho em serviços domésticos especializados como limpeza, pinturas e jardinagem, nos quais eles podem ganhar até US$ 100 por hora – “cerca de metade do salário mínimo mensal no Brasil”, observa a reportagem.

Para o jornal, esses nichos “não funcionariam no Brasil, onde limpeza doméstica e pintura de paredes são ocupações de pouco status e que pagam mal”.

Recompensas maiores

“Brasileiros da baixa classe-média adotam uma visão diferente nos Estados Unidos, porque as recompensas são muito maiores”, diz a reportagem, comentando que imigrantes que retornam ao Brasil raramente conseguem repetir no país o sucesso que tiveram no exterior.

O jornal cita um estudo da socióloga Sueli Siqueira, que estudou as experiências dos imigrantes da cidade mineira de Governador Valadares e descobriu que cerca de metade das empresas estabelecidas por eles após o retorno ao Brasil fracassam, levando-os a tentar novamente a sorte nos Estados Unidos.

O Financial Times comenta, porém, que há nos Estados Unidos “uma crescente insatisfação popular com os imigrantes ilegais que parecem ambiciosos”.

“No momento, o aumento da vigilância e operações mais freqüentes do serviço de imigração significam que muitos brasileiros em Boston estão ficando com medo e adiantam seus planos para voltar para casa”, diz a reportagem

Por BBC Brasil

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