Couch Surfing (Surfando em Sofá)
Uma grande rede de amigos
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A idéia é tão simples que parece obra de ficção: hospedar-se gratuitamente em casas do mundo inteiro, fazer amizades e conhecer lugares inusitados. Parece enredo de livro de viagem, mas não é. A proposta já foi colocada em prática e conquista cada vez mais adeptos. São os chamados "surfistas de sofá", pessoas que apostam na hospitalidade mútua e conectam-se a viajantes de todos os cantos do planeta a fim de conseguir um local para se acomodar e realizar as mais diversas trocas culturais.
Para aderir, basta entrar em um dos sites que promovem este tipo de encontro, descrever um perfil detalhado a seu respeito e sair à procura de pessoas que possam ser tanto futuros hóspedes quanto anfitriões. O intuito básico é possibilitar uma experiência que vá além daquelas oferecidas pelas agências de turismo, já que o viajante tem a chance de conhecer melhor o dia-a-dia da cidade sob a ótica de um morador.
Mais do que realizar uma viagem econômica, a idéia é que as pessoas realmente conheçam melhor outra cultura. Portanto, uma dose de abertura e gentileza são fundamentais. Se à primeira vista a proposta soa como algo arriscado, as experiências de quem já se aventurou por tais programas provam justamente o contrário. Com mais de 600 mil usuários em 40 mil cidades, o site Couch Surfing (ou "surfando no sofá" - www.couchsurfing.com) é um exemplo bem-sucedido de promoção da hospitalidade mundo afora.
Com funcionamento semelhante a outros sites de relacionamento, como Orkut e MySpace, o Couch Surfing (CS) existe desde 2004 e, no último mês, alcançou a marca de 1 milhão de experiências positivas em hospedagens através dessa iniciativa. "O interessante do Couch Surfing é que, apesar de ser mediado por um site, os encontros acontecem no dia-a-dia, concretamente.
Ele estabelece amizades que às vezes seriam impossíveis em outro contexto", explica o estudante Felipe Boaventura, 21, um dos embaixadores do CS em Belo Horizonte. Pela sua própria filosofia aberta, as regras do programa não são rígidas. Por exemplo, um usuário que queira ficar na casa de outro não precisa, necessariamente, ter um sofá para oferecer. No entanto, a premissa básica é o bom senso. Há quem simplesmente se dispõe a acompanhar um estrangeiro na cidade, mostrando-lhe pessoas e lugares interessantes.
Os participantes deixam claro também que não se trata de um site para encontros amorosos. Eles podem até ocorrer, mas como conseqüência, não princípio. Tolerância e respeito são palavras-chave. "Normalmente, bons hóspedes são pessoas que prestam atenção em quem vão visitar. Ler atentamente o perfil do outro é um começo.
Quem viaja pode levar um presentinho para seu ‘host’, com objetivo de quebrar essa história de hospedagem gratuita, mas isso não é uma regra. Já um bom anfitrião deve ser uma pessoa que conhece bem sua cidade, sabe explicar o sistema de funcionamento e indicar locais interessantes para ir", relata Ricardo Moraleida, 24, relações públicas e também embaixador do Couch Surfing em Belo Horizonte.
por JULIA GUIMARÃES
Fonte: Jornal Pampulha - Julho/2008